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ARQUIVO:
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20.8.02
em trânsito
ele se anunciou
com voz de sirene
dei passagem
mal sabia
que a emergência
era eu
sara fazib
por Sara | 12:51 |
alea jacta est
o telefone toca
a sorte é lançada
que se disputem as vestes
espalhadas sobre a mesa
facetas de mim
sara fazib
por Sara | 12:45 |
dia da caça
à beira-mar
o velho caçador
mira a lebre
sem munição
pede mais um chopp
sara fazib
por Sara | 12:35 |
flash!
meio-dia
avenida Paulista
vazia
passa a mini blusa
encobrindo
uma multidão de pecados
sara fazib
por Sara | 12:34 |
1.6.02
tea for two
É tão concreta a solidão que poderia cortá-la em doze pedaços e saciar a fome do mundo dos felizes e amados. Parede alta e espessa, túmulo caiado. Do outro lado do muro, todo o fruto desejável. Viver é uma arte, seu pai dizia. L'art de mise en scène, sua mãe calava.
Ela se banha, se empoa, não esquece o perfume suave. Veste o traje colorido, ajeita os cabelos em cachos.
Prepara o chá e os brioches, dispondo-os sobre a toalha branca e rendada. No centro, um vaso de hibiscos azuis trazendo à mesa um mar de julho e um retalho de um lenço de cambraia.
A brisa toca as folhas e um acalanto se desprende de um galho. A felicidade ressoa no terraço.
Toma uma xícara, de fina e alva porcelana, e serve. Em seguida, oferece num gesto delicado. Espero que esteja a gosto. O morno do sorriso agradecido embaça a baixela de prata. Brioches?
A cada oferta acompanha um leve toque à guisa de chocolate mentolado.
Como foi o dia? Entre linhas, goles e nacos, ocultas em cada frase, delicadas porções de afeto e recato. Um pouco mais de chá?
Por descuido, uma gota escorre do canto dos lábios e dá à renda um tom rosado. Dentre as dobras da tolha, descobrem-se possibilidades.
Antes que se esvazie a xícara, num engano tantas vezes ensaiado, trocam-se os guardanapos. Acontece, enfim, o beijo desejado. No ar espalha-se o buquê do inefável. Ela cerra os olhos, aspira longamente e degusta cada graça revelada.
Gosta de tomar chá assim, diante do espelho e às cinco da tarde.
sara fazib
por Sara | 01:24 |
30.5.02
cotação
Ele mandou um recado:
Não dou um tostão por ti, oferecida.
Maldita lei de mercado.
sara fazib
por Sara | 12:59 |
Um poema que gosto muito, da Silvana Guimarães.
Caixa de Ferramentas
Dúzias de pregos soltos,
três alfinetes de fralda
pra servir de desmazelo.
Um rolo de fita isolante,
que nem teve serventia.
seis retratos 3x4, fora
o do relicário de prata,
que não é meu, com mentira
escrita no verso. Em prosa.
Desarrumadas lembranças,
uma carta de amor,
três de baralho:
um rei de pau,
uma dama de quatro,
um ás de ouro puro
erro de cartomante.
Uma chave de fenda,
uma calcinha de renda,
uma clave de lua,
pena de passarinho,
asa de borboleta,
raiozinho de sol.
Minhas caixinhas de música,
conchinhas, tantos mares,
minha coleção de pedras,
meu colar de pérolas
e aquele salto alto,
que nunca foi lá.
Três segredos, sete chaves
e nenhuma abre a algema.
Uma faca desafiada
por um pulso sem coragem,
uma tesoura sem ponta,
assustando velhos papéis.
Um missal de madrepérola,
um santinho de São Jorge
assassinando o dragão
com um canivete suíço.
Três segredos tão sufocados
no amarrado da fita amarela.
Um soluço, a última ilusão.
Todos os versos que teimei,
todas as bugigangas que juntei,
todos os parafusos que perdi
e quase esquecido, de lado,
escondido entre rimas rasgadas,
um martelo torto e sem cabo
de tanto bater na saudade.
Silvana Guimarães
por Sara | 02:21 |
Insight
Num barco à deriva,
um homem divaga
os rumos da vida.
No horizonte
uma questão vertical:
há mais além?
O morcego acorda
e vê, de ponta-cabeça,
o sentido, enfim.
sara fazib
por Sara | 02:09 |
28.5.02
c a r a m e t a d e
melhor par não faria
eu e essa minha falta
de companhia
sara fazib
por Sara | 21:45 |
Ganhei este blog da Nancy Marchioro. Assim, sem que eu tivesse feito nada por merecer. Generosidade pura. Obrigada, Nancy!
E, agora, estou aqui pensando no que dizer! Sou meio bicho do mato, fico sem graça de estar falando com meus botões. Então, só pra começar, postarei textos, poema ou prosa. Exercícios meus. Vou postar textos de amigos, também. Mais tarde, conforme eu for me desinibindo, arriscarei um papo. Um grande beijo para você, Nancy, e outro para você, Fábio!
por Sara | 21:32 |
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